Alepa concede ‘Mérito Cabanagem’ ao pastor Philipe Câmara

A indicação é do deputado Raimundo Santos, em reconhecimento à representatividade do jovem líder religioso

Deputado Raimundo Santos, Pastor Philipe Câmara e Raimundo Santos Júnior

O pastor do Templo Central da Assembleia de Deus de Belém, Philipe João Câmara, foi o grande homenageado do deputado Raimundo Santos (Patriota) na última e tradicional sessão solene do ano, a de outorga da “Medalha Mérito Cabanagem” da Assembleia Legislativa (Alepa), durante cerimônia realizada nessa quinta-feira, 17 de dezembro. Considerado hoje um dos mais expoentes pregadores evangélicos do País, ele nasceu em Manaus, no Estado do Amazonas, tem 38 anos e é filho dos pastores Samuel Câmara e Rebekah Joyce Lemos Câmara, pertencendo à quarta geração de pastores da família. “Sinto-me honrado pela indicação do deputado e ser um dos agraciados, que formam uma pluralidade da sociedade”, agradeceu ele, após receber a comenda.

“O pastor Philipe Câmara é um dos principais pastores jovens do Brasil e representa uma agradável referência não apenas pelo conhecimento de várias áreas humanas”, declarou o parlamentar. “É uma pessoa com excelente formação acadêmica e tem se revelado como um dos mais promissores pregadores do Evangelho em nível de Brasil e do mundo. Não somente isso: tem uma capacidade grandiosa de liderança. Ele consegue liderar crianças, adolescentes, jovens e idosos ao mesmo tempo, sempre com simpatia, carisma, com um sorriso. É um homem de Deus que nasceu com talento de liderar e de apascentar ovelhas do Senhor Jesus, conseguindo estabelecer relacionamentos, procurando integrar a igreja com a própria sociedade”, reconheceu.

No auge da pandemia, quando os estabelecimentos religiosos ficaram proibidos por ato governamental de abrir ao público, Philipe Câmara liderou pessoalmente ações sociais e filantrópicas, com destaque para a entrega de milhares de cestas básicas a famílias carentes de Belém, além de uma série de orações em frente a residências ou em “drive-in” da própria igreja, um serviço espiritual contínuo sem precedentes em um período de intensa preocupação com a saúde e a vida.

AMOR AO PARÁ  
Philipe Câmara, que recebeu cumprimentos e felicitações do secretário adjunto de Estado de Articulação da Cidadania, Raimundo Santos Júnior, e do presidente eleito da Alepa, Francisco Melo, o Chicão (MDB), deu a seguinte entrevista.  
•    O que essa medalha representa para o senhor, sendo uma indicação particular do deputado Raimundo Santos e um reconhecimento público por meio da Alepa?
•    PASTOR PHILIPE CÂMARA – Sinto-me honrado pela indicação do deputado, a quem agradeço pela lembrança. É importante participar e representar a pluralidade do Pará. A gente viu figuras de movimentos sociais, da área da Segurança [Pública] e também religiosa que prestam trabalho significante no Estado. Me chamou a atenção [na cerimônia] que temos pessoas de todas as classes sociais, de todas as idades, pessoas que não nasceram no Pará mas que adotaram o Estado como seu, de coração, como eu.
•    E como é a sua relação com o Pará?
PPC – Sou amazonense de nascimento, mas paraense de coração. Sou casado com uma paraense, tenho filhos paraenses e vimos para cá quando eu tinha 14 anos de idade, 1997. Desde então nunca mais deixamos de trabalhar. É um propósito meu – claro que a nossa vida está nas mãos de Deus – servir a essa terra, poder ser contado entre os paraenses que amam Belém, o Pará e o Brasil. Sou muito orgulhoso do nosso Estado, o qual amo.
•    O seu trabalho foi mais uma vez reconhecido à frente da igreja por meio dessa honraria. Como a Assembleia de Deus enfrentou a pandemia nesse ano que está terminando?
PPC – De várias maneiras. Primeiro, na principal missão da igreja, que é a espiritual. Em oração, demos todo o apoio que pudemos. Esse é o papel ministerial da igreja. Segundo, o aspecto social. Nunca na história da igreja  atendemos a tantas pessoas e fizemos tantas arrecadações ou construímos tantas casas como agora. A igreja fez um trabalho que é reconhecido no Estado, na missão contra a fome, atendendo, no mínimo por mês, a 4 mil famílias. Chegamos a atender em junho, por exemplo, algo em torno de 9 mil famílias com cestas básicas. Nos últimos dois anos, nossa igreja doou 135 casas para pessoas carentes da cidade. E mesmo na pandemia isso não parou. Nesses últimos dois meses e nas últimas três semanas, até concluir o ano, em todo final de semana, pelo menos uma casa estará sendo entregue para uma família carente de Belém. Apoiamos ainda o Exército, a ONU [Organizações das Nações Unidas] com relação à situação dos imigrantes venezuelanos. Interiorizamos 680. Enfim: é um trabalho muito bonito, que segue o principal, que é o espiritual.
•    A igreja também tem procurado se reinventar como instituição, como no caso do lançamento do projeto “Market Place”. Como estão sendo o desenvolvimento e a receptividade pelo público?
PPC – Trabalho bonito. Existem vários segmentos dentro da igreja, e entre eles há um que, nessa época, foi muito afetado: é o de quem inova, de quem emprega, composto por empreendedores, empresários, autônomos, universitários. O Market Place é um fórum de conexão, onde queremos inspirar essas pessoas e gerar conexões que de outra forma não seriam possíveis. Para todos os que lá participam, não é culto, é uma reunião em que somos inspirados, cantamos e alguém de êxito em seu segmento compartilha princípios que dão certo em qualquer lugar. No final, menciona-se como a fé em Cristo, somada a esses princípios, fez a diferença e que para outras pessoas também possa fazer.
•    Falando de esperanças: o pior vai passar em 2021 quanto a essa crise sanitária?    
PPC – Acredito que o pior já passou, não acho que “vai passar”. Já passou. Nosso País, com todas as dificuldades, enfrentou brilhantemente essa pandemia. Ninguém tinha plano para isso [prevenir ou combater a infecção pelo novo coronavírus]. Ninguém começou 2020 sabendo que o mundo iria “fechar”. Pegou todos de surpresa: gestores, empresários, pais de família. Agora temos de reavaliar, apoiar quem trabalha muito e continuar tomando os cuidados. Teremos um ano brilhante em 2021, de demandas e retomada. É o que o mundo está precisando.
•    O senhor iniciou as atividades pastorais há catorze anos. Mas como foi a sua experiência antes, ao aceitar Jesus?
PPC – Foi única. Embora tenha nascido em lar evangélico, todo mundo tem aquele dia em que precisa tomar uma decisão. Lembro até hoje: aconteceu no culto das missões. Eu tinha 9 anos de idade. Lá em Manaus, no Amazonas, quando alguns pastores do interior, muito simples, contaram testemunhos de como a obra missionária era feita. Com aquela idade, não conseguia parar de chorar. Pela primeira vez, senti aquele peso das almas, das pessoas que precisam receber Jesus, mas ao mesmo tempo o temor da minha própria alma, da minha própria salvação. E naquele dia fui à frente e dobrei meus joelhos, entreguei a vida a Jesus, algo que marca até hoje. E sempre que participo de ambientes semelhantes, sou remetido àquele tempo.

QUEM É ELE
O pastor Philipe Câmara é bacharel em Teologia e Ministério Pastoral pelo Southeastern University em Lakeland, na Flórida, nos Estados Unidos, e em Administração pela Universidade Estácio de Sá do Rio de Janeiro. Ele iniciou o ministério pastoral em 2006 em Belém, na igreja-mãe das Assembleias de Deus.
Em novembro de 2009, a igreja o enviou a São José dos Campos, no interior de São Paulo, para assumir a presidência e o pastoreio da Igreja Assembleia de Deus Missão, onde desenvolveu a obra de Deus em 104 templos na cidade e em mais 72 templos espalhados em 26 municípios de São Paulo e no sul de Minas Gerais, além de levar obras missionárias nos Estados da Bahia e Pernambuco, bem como em países como Angola, Argentina, Peru, Paraguai.
Em dezembro de 2018, assumiu o pastorado do Templo Central em Belém do Pará, templo histórico onde auxilia seu pai, pastor Samuel Câmara. É casado com a Pastora Luana Marques Vasconcelos Câmara, com quem teve  três filhos: Sarah (nascida em 2011), Samuel Neto (2013) e João Lucas (2019).

COMENDA
A Medalha Mérito Cabanagem foi instituída pela Lei estadual 5.198, de 10 de dezembro de 1984, sendo outorgada a pessoas físicas ou jurídicas que contribuíram diretamente para o engrandecimento do Estado e, particularmente, ao Poder Legislativo. Com níveis diversos, é concedida de dois em dois anos, coincidindo sempre com o término da administração da Mesa Diretora.